O Castelo - Dois Mundos Em Conflito

domingo, 18 de fevereiro de 2018

Rio de Janeiro - Doença – Diagnóstico – Remédios



O Rio de Janeiro é meu estado natal. Saí de lá ainda criança para morar em Minas e hoje me considero mais mineiro que carioca.
Brasília, como sabemos, é a capital do Brasil, mas assim como São Paulo é considerada sua capital financeira, ao Rio de Janeiro pode ser atribuída a condição de capital cultural.
O Rio sempre foi um dos nossos motivos de orgulho, pela sua condição de sala de entrada do Brasil, ou a menina dos olhos dos brasileiros. Isto em grande parte pela sua magnifica topografia e pelo jeito de ser dos cariocas, povo descontraído e de bem com a vida.
É com pesar e preocupação que vemos hoje a situação que chegou sua estrutura política, administrativa e social eclodindo num estado de violência e descontrole.
Comparando o Rio a um organismo vivo, diríamos que ele contraiu uma doença gravíssima em estágio de metástase. Um cancro maligno.
Em definição clássica metástase e quando câncer se espalha além do local onde começou (sítio primário) para outras partes do corpo. A metástase pode ocorrer quando as células cancerosas viajam através da corrente sanguínea ou dos vasos linfáticos para outras áreas do corpo.
Qualquer tecido, seja orgânico ou social, quando atinge esta condição, exige o concurso de remédios e tratamentos que variam em nível de intensidade e agressividade.
Em medicina a cirurgia é considerada a intervenção mais agressiva e é adotada concomitantemente a outros tratamentos, como quimioterapia e radiologia, além é claro das dietas que facilitem ao tratamento e ajudem na recuperação do paciente.
Ou seja, os ataques a uma grave doença consideram intervenções e ações de curto, médio e longo prazo.
Há muita polemica sobre a necessidade e oportunidade de intervenção na segurança pública no Rio. Neste quesito até mesmo especialistas divergem. Uma coisa podemos afirmar com certa segurança: só a intervenção não resolve nada e pode até piorar as coisas. 
Podemos comparar grosso modo a intervenção com uma cirurgia de emergência para atacar a doença imediatamente, e dar ao paciente um pouco de segurança, tranquilidade e esperança.
Mas é preciso se aprofundar nas ações em qualidade e intensidade. Ações de curto prazo podem agir de forma rápida, de maneira que o paciente se sinta fortalecido o suficiente para contribuir com sua própria melhoria ou cura relativa.
É preciso saber como a população do Rio se sente com relação a esta intervenção e de que maneira ela o afeta no dia a dia. 
É muito cômodo se sentar de camarote e desfiar um rosário de prós e contras quando não se vive a realidade que este cidadão vive.
Sair de casa de manhã para ir para o trabalho ou escola, fazer compras, tocar enfim seu dia a dia, pode ser fator de stress e perigo para este cidadão, coadjuvante privilegiado da trama.
Nas ações de médio e longo prazo os diagnósticos devem considerar os fatores que levaram o Rio a chegar a este ponto. Onde falhou o poder público tanto no aspecto da corrupção quanto no da incompetência para gerir a coisa pública, como fatores preponderantes que levaram a derrocada um Estado com tantas riquezas naturais, turísticas e financeiras.
Estes diagnósticos se tornam vitais quanto se pressupõem que a doença que acometeu o Rio pode gerar novas vítimas entre outros Estados da federação.
O Estado do Rio foi devastado por políticas públicas que combinaram incompetência e desonestidade no mais alto nível. 
A corrupção nos órgãos públicos é equivalente a um cancro que se espalhou pelas instituições e corporações de forma avassaladora, de tal modo que os seus próprios governos, tanto municipal quanto estadual se consideram incapazes de levar adiante a gestão pública do Estado e da cidade com o mesmo nome.
Funcionários públicos (dentre estes, policiais) sem receber salários, agentes das forças de segurança enfronhados até dos ossos com atividades criminosas em associações ilícitas, câmaras de vereadores e de deputados comprometidas com práticas criminosas.
Se esta intervenção no Rio estiver contaminada por motivação apenas política e não for seguida de ações de inteligência de médio e longo prazo, aí sim veremos o inferno do cão aflorar com toda força não só no Rio, mas em outros estados da federação.
Que este governo que aí está, bem ou mal, como resultado de uma destas alianças espúrias em nome da governabilidade, se dê conta da responsabilidade que tem neste momento grave. Não pode deixar um País até então promissor se transformar no Estado da Barbárie. Permita Deus que não.

João Drummond




segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

A Esquerda Envelheceu?




A Esquerda brasileira envelheceu? Será impressão nossa ou se tornou numa velha histriônica, neurótica, mal-humorada? E pergunto isto com certo pesar. Para mim, ela sempre representou a força renovadora da política, capaz de pressionar as lojas maçônicas do capital e da política conservadora e fazer mover a força obscura e pantanosa do seu status quo, (a direita com sua energia subterrânea e sinistra merece um artigo a parte, em outra oportunidade).
A esquerda perdeu seu antigo viço que não foi compensado pela natural sabedoria que convém aos senhores e senhoras.  
Hoje ela pode ser vista por aí bradando velhos chavões e brandindo ultrapassadas bandeiras. Não tem uma proposta concreta de mudança para a sociedade, presa que ficou numa defesa birrenta de sua liderança icônica e episcopal.
Parece muito uma igreja medieval, saturada de bispos e cardeais que vivem na opulência do capitalismo mais selvagem, enquanto dizem amem ao seu comando papal.
Suas hostes campais que tem como maior representante o MST, circulam a procura de terra produtivas e improdutivas para ocuparem como gafanhotos, enquanto se mantem em espera eterna, pelo próximo protesto, onde servirão de massa de manobra.
Nem de longe lembram as lutas do campo por maiores direitos e melhores condições de vida e trabalho. Muitos inclusive deixam seus pequenos latifúndios e negócios em mãos familiares para se lançarem na campanha “pão com mortadela”.
Nas escolas e faculdades esta esquerda encontrou o habitat perfeito entre jovens da geração Nem-Nem, (nem estudam, nem trabalham). Passam o seu tempo entre cervejas e baseados acenando as imagens de Fidel e Guevara, sem se preocupar com suas futuras profissões e sua cota produtiva para a sociedade.
Envolvida em denúncias de falcatruas e corrupção, a esquerda tem a seu serviço, intelectuais que passam um bom tempo queimando suas massas cinzentas, esboçando teorias e teses que expliquem e justifiquem estes desvios de conduta.
Na internet seus jornalistas e blogueiros tem como papel disseminar notícias e informações nem sempre tão confiáveis, na verdade tantas mentiras como é praxe da direita, enquanto gritam de forma histérica contra golpes, e a favor de mais democracia e legalidade. Aliás democracia e legalidade que geralmente desprezam já que aceitam apenas os resultados que lhes convém.
Nas redes sociais seus adeptos reagem intransigentes a quaisquer críticas, e partem para uma defesa do impossível com teorias que só podem ser compreendidas a luz da sua paixão pela sigla e ideologia.
A imprensa conservadora é sua inimiga mortal até que precisem dela para suas campanhas eleitorais. A justiça que compreendem tem duas faces: a que pune exemplarmente seus adversários e a que conspira quando age contra seus adeptos.
Uma tese interessante prospera na esquerda: se uma pessoa confessadamente de direita fizer algum comentário que lhe seja favorável passam a divulgá-lo de forma vigorosa como prova de remissão do golpista.
Se esta pessoa então passar a apoiar abertamente suas teses, mesmo que por interesse, recebe um bônus celestial que a redime de crimes pretéritos e futuros, já que para a esquerda, crimes comedidos pela causa são sempre bem-vindos e justificáveis.
Não é por outra que a Esquerda brasileira vem acumulando derrotas sobre derrotas enquanto age com os olhos num passado glorioso, mas sem a inteligência necessária para sintetizar estas experiências e transformá-las em algo útil para uma sociedade que clama por justiça social e direitos mais que merecidos.
Esta é a Esquerda com matizes e tiques da Direita que tanto combatem, mas que sem perceber, ao olhar para o espelho veem a si próprios como o inimigo oculto e destrutivo.


João Drummond


sábado, 3 de fevereiro de 2018

Investigado, Lula perde o apoio entre intelectuais de esquerda no País

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sofre uma nova leva de desencanto entre intelectuais e jornalistas da esquerda com as acusações de delatores da Odebrecht, como a de que a empreiteira lhe destinou um saldo de R$ 40 milhões de propina.
Há quem mantenha os comentários em grupos reservados, admitindo que a defesa de Lula arrefeceu, mas opinando que ele ainda tem um caminho a percorrer na defesa de direitos do povo.
Mas há quem manifeste publicamente a frustração. O linguista americano Noam Chomsky também teria feito críticas à esquerda latino-americana e especificamente à brasileira.
“É simplesmente doloroso ver que o Partido dos Trabalhadores no Brasil ‘que implantou medidas significativas’ simplesmente não pôde manter as mãos fora da caixa registradora. Juntaram-se à elite extremamente corrupta”, afirmou, ao programa “Democracy Now”.
Delatores da Odebrecht disseram que a empresa pagou mesadas ao irmão do ex-presidente, ajudou o seu filho a impulsionar a carreira e reformou um sítio como presente ao ex-presidente, entre outras menções.
O ex-presidente da empreiteira, Marcelo Odebrecht, disse que foi aberta uma conta para “atender demandas que viessem de Lula” a pedido de Antônio Palocci, . Inicialmente, falou em R$ 35 milhões. Depois, em R$ 40 milhões.
O site “The Intercept Brasil”, co-fundado pelo jornalista Glenn Greenwald, escreveu um texto intitulado de “O amigo de 35 milhões”.
Nele, diz que as acusações são graves “a ponto de, eventualmente, impedir sua candidatura à Presidência no ano que vem, caso seja condenado pelo juiz Sergio Moro e tenha a sentença confirmada em segunda instância”.
A assessoria do ex-presidente afirma que ele desconhece a conta com milhões de reais que teria sido aberta para seu uso. Segundo a assessoria de Lula, os depoimentos “estão sendo manipulados para falsificar a história do governo Lula”.
No mensalão, alianças com empresários e concessões políticas em troca de governabilidade fizeram fundadores do PT deixarem a sigla. Desta vez, a alegada contradição entre discurso e prática foi a gota d’água.
Alguns dizem conhecer o ex-presidente e afirmam nunca tê-lo visto levar vantagem pessoal, embora vejam envolvimento entre os negócios do Estado e empresas.



Investigado, Lula perde apoio entre intelectuais de esquerda.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

A Lógica Esquerdofrênica Que Protege a Corrupção





Você chegou até aqui por sua conta e risco. Dá tempo de retroceder. Neste espaço eu digo com franqueza o que penso sem preocupações quanto a incomodar quem pensa diferente, ou mesmo de ferir susceptibilidades.
Não estou alinhado a nenhuma ideologia, partido ou personalidade do mundo político.
Aceito debates, mas evito polemicas fúteis e inúteis. Nos meus perfis nas redes sociais apago posts políticos com frequência, porque acredito que, se a informação é importante, o apego excessivo e apaixonado por determinados temas não é saudável para debate democrático.

Todos nós sabemos a que ponto chegou a política nacional: degradada, viciada, mesquinha. Podemos dizer que, conquanto a corrupção seja um padrão histórico, ela nunca foi tão escancarada e cínica como agora.
Nenhum partido e quase nenhum político se salva, visto que o modelo se plasmou com o tempo a sombra da impunidade.

Pode ser também que esta impressão de degradação endêmica seja por fatores como as novas tecnologias, que pegam os infratores no “pulo do gato” e a ação inovadora de delegados, promotores e juízes que ousaram fazer cumprir as letras, até então mortas, da lei.
Neste processo que se iniciou com a “Lava Jato” muitos políticos caíram política e juridicamente. Alguns estão presos ou processados e outros esperam pela morosidade das instancia superiores, enquanto desabam em seus currais eleitorais.

A esperança que fica é que este processo leve ao seu final a uma nova forma de fazer política, quando as gerações vindouras semeadas nestes terrenos devastados assimilem uma verdadeira consciência cidadã a respeito do “commune bonum”. 
Este processo todo de exposição da orgia política tem seu lado bom. Alguns políticos estão se transformando em zumbis eleitorais e dificilmente serão reeleitos.

Para citar alguns, Eduardo Cunha e Maluf presos, Aécio e Temer em fim de linha, execrados e rejeitados de tal forma que só se mantem ativos por beneplácito do STF e do congresso nacional.
Lula se tornou um caso à parte em todo este imbróglio. Esteve no epicentro desta política degrada como grande o líder, o cara e mesmo assim continua vivo eleitoralmente por conta de uma lógica estranha.

Para a esquerda, quando a justiça processa e condena outros agentes públicos o devido processo legal foi observado.
Mas não para Lula. Ele é sempre inocente, perseguido, injustiçado apesar de ser, de todos estes políticos, o que tem mais ampla defesa assegurada. Pode atacar os delegados, promotores e juízes dos seus processos a vontade, ocupar espaços quase que ilimitados nas mídias sociais. Pode até, vejam só denunciar a justiça brasileira na ONU.

A que outro réu isto é facultado? As forças de esquerda amealhadas por suas políticas sociais e populistas ameaçam e chantageiam as instituições todo santo dia impunimente.
Quando algum membro da irmandade se desgarra do rebanho com opinião contraria é de tal modo constrangido que acha por bem retroceder em sua opinião.

O exemplo mais recente e evidente deste policiamento ideológico foi observado com o teólogo e escritor Leonardo Boff, quando o mesmo postou em seu blog pessoal um texto da jornalista Carla Jimenez para o El Pais em que a mesma faz uma análise bastante coerente da política nacional.
Tendo endossado o texto ao postá-lo em seu blog, Leonardo Boff, diante da repercussão negativa, retrocedeu e, como todo bom esquerdista, disse que só não concordava com a parte do texto em que a jornalista criticava Lula.

É sempre assim a lógica viciada da esquerda. Lula sempre vai ser considerado inocente ainda que ele seja exibido em um vídeo esfolando um Panda.
E como muitos destes esquerdistas doentes são formadores de opinião criam uma situação que beira o absurdo no Brasil. Um condenado pela justiça, a mesma que é justa com Eduardo Cunha, Maluf e Cabral, sendo desafiada por uma defesa irresponsável publicamente e chantageada com mortes, e distúrbios sociais para ganhar na marra um processo que já está perdido pelos canais jurídicos.

O esquerdofrênico é bem assim: aceita os veredictos judiciais desde que lhes sejam favoráveis. Desta forma mantem grupos sociais menos informados, atrelados a uma candidatura que se sabe impossível de vingar.
Nem entro mais no mérito quanto a Lula ser culpado ou inocente visto que isto já é ponto pacifico de acordo com a lei.

Querendo ou não, Lula é mais um produto deste caldo de cultura contaminado em que estão metidos Eduardo Cunha, Maluf, Aécio e Temer dentre outros. A bem da Nação eles devem ceder lugar a uma nova mentalidade política. O Brasil precisa mais do que nunca de um presidente que possa se dedicar a gerir sua complexa e comprometida estrutura sem se preocupar e perder tempo com questões judiciais.
Não dá para se governar um país sem o comprometimento, integridade e competência que não se pode esperar destes políticos que nos enredaram neste mar de lamas.



                                            João Drummond


sábado, 6 de janeiro de 2018

Uma petição só pra Lula e o “golpe” como mote de campanha

Podemos perceber um certo desespero batendo às portas da esquerda brasileira, e não é pra menos. Com o julgamento do processo contra Lula marcado para o dia 24 de janeiro no TRF-4 (Porto Alegre) marca, não digo um fim de linha, mas um estreitamento considerável de possiblidades do PT nas próximas eleições.
A petição “Eleição sem Lula é Fraude” demonstra bem o tamanho da encrenca que o Partido do Trabalhadores em particular e a esquerda em geral estão metidos.
Lula é considerado hoje por seus partidários com via única. Não existe plano B. Transformado em mito em vida se tornou, para quem o segue, a “bala de prata”, o tiro único capaz de desmontar a conspiração que se formou em torno de sua candidatura com o único intuito de frustrá-la.
A justiça tem acusado, julgado e mandado para a prisão muitos políticos em um processo que, segundo muitos contem falhas. Mas não teria como ser diferente já que perfeito é só Deus.
Neste interim não há reações apaixonadas e exageradas e a ausência de questionamentos leva a crer que creem em sua seriedade e eficácia. Mas com Lula é diferente. Toda decisão judicial que o afeta é considerada injusta, partidária e tendenciosa.
Lula, dentre todos os réus é o único que tem tempo de sobra de defesa na mídia, pode mobilizar movimentos sociais como massa de manobra financiada, não se sabe por quem, e que aparentemente conta com todo o tempo do mundo para as manifestações a favor, pode afrontar com todas as letras seus juízes transformados pela sua máquina de propaganda em algozes da democracia. Pode ir ao Pacto de San José à OEA a ONU e ao Papa.
A ninguém mais são facultadas tantas possibilidades de defesa além de, tão somente procurar contrapor dentro da lei as provas que gritantemente o acusam de corrupção.
Quando a justiça prende outros réus está cumprindo seu papel, está sendo justa, mas quando acusa Lula é transformada convenientemente em uma aberração jurídica que trabalha a favor de outros partidos e de outra potencias mundiais.
A justiça na visão do petista doentio, sofre da síndrome de dupla personalidade, e as pressões que se sucedem tem a intenção de fazer aflorar a sua natureza mais covarde, capaz de julgar e decidir de forma contraria as provas dos autos.
Delatores, fotos, vídeos, e-mails, extratos bancários na visão da esquerda são provas falhas quando se referem a Lula. Para os outros tudo bem.
Eles, na verdade não se preocupam com os atos de corrupção, já que o que importa é a ideologia. Tudo é permitido à esquerda desde que seja pela causa.
Analisando a anatomia do dito golpe, falam e agem como se fosse um fenômeno isolado que, caindo do céu como um raio, teria se abatido sobre nossa nobre democracia e nos levado em um instante a um estado de exceção.
Na verdade este pretenso golpe é um processo resultante das más escolhas partidárias feitas no passado, quando se buscou não um plano de governo, mas de poder. Neste momento do golpe tudo foi aceito como valido inclusive se colocar em pontos estratégicos pessoas com reconhecidos de históricos de corrupção.
Colocaram as cobras venenosas dentro do ninho e contavam que poderiam controla-las indefinidamente. Os cabeças deste pretenso golpe são os mesmos parceiros de primeira hora, que criaram a Republica do PT onde tudo era permitido em nome da manutenção deste reich tupiniquim.
Quando as regras de governo ficaram tão elásticas seus parceiros entenderam como legitimas as ações que a seguir propiciaram o dito golpe.
Eles agiram como uma facção dentro da gangue sem nenhum compromisso com as regras legais e democráticas. A corrupção não foi invenção do PT, mas foi em seu governo que ela se escancarou e se espalhou sem pudor por todos os aparelhos estatais.
Lula se transformou neste meio tempo na pedra angular de uma seita. Um nome merecedor de tratamento diferenciado que deve pairar acima da lei e da ordem, mesmo que tenha sido protagonista deste processo de apodrecimento da política em toda sua plenitude.
Houve corrupção nos outros partidos? Claro que houve, mas é o caso de se cobrar da justiça a suas medidas justas e não tentar humilhar e submeter as instituições judiciarias e relega-las grupos de conspiradores.
O problema é que os atos de corrupção recentes remota aos 14 anos de governo do PT que tinha nas mãos todos os instrumentos para combatê-las mas preferiu aderir ao bezerro de ouro.
E em tempo, Temer é apenas continuação destes governos, já que deu a eles sustentação e cedeu seu capital político.
Infelizmente quem comeu a carne tem agora que roer o osso, e para quem pretende fazer valer a tese de que o que Lula fez de bom para o povo o desculpa de todos os maus feitos, na verdade o que ele fez foi o trabalho para o qual foi eleito. Cumprir promessas de campanha não são méritos, mas obrigações do eleito. Já as falcatruas e maracutais são uma traição a este mesmo voto.




                                                                                                      João Drummond








domingo, 15 de outubro de 2017

A Politica Ontem e Hoje no País das Maravavilhas

Quando vejo as pessoas insistirem em golpe, pedirem a anulação do impeachment, pedirem a volta da democracia e do estado de direito, fico a imaginar como seriam os dias atuais se tudo tivesse ficado como estava, com a Dilma na presidência em seu segundo mandato.
A crise na economia já dava as caras, em sinais claros, com os reajustes de preços administrados pelo governo, aumento da inflação e do desemprego.
As pessoas têm memória curta, mas a maioria destes sinais negativos já estavam presentes no início do segundo mandato de Dilma.
Mas façamos de conta que tudo estava bem no pais de Alice. No pais das maravilhas governado então pelo PT e por Dilma a democracia e o estado de direito viviam sua plenitude.
O mensalão teria sido uma exceção e já estava devidamente resolvido. A Petrobras não estaria sendo saqueada por um gigantesco esquema de corrupção envolvendo políticos, empresas e doleiros.
O congresso eleito democraticamente estaria, em sua maioria, dando sustentação ao governo do PT, com seus deputados e senadores probos e honestos, nenhum traidor e ladrão a vista.
Temer continuaria com sua trajetória de vice decorativo e presidente do PMDB, o maior partido do ocidente e parceiro fiel do PT durante os últimos 13 anos. Aécio Neves continuaria comandando a oposição perdedora e candidato forte nas próximas eleições com grande número de seguidores e apoiadores.
A OAS, Odebrecht e outras grandes empreiteiras estariam fazendo suas grandes obras no Brasil e em outros pais sem pagar propina e sem exaurir os recursos públicos através de Bancos oficiais, que por seu lado não estariam aparelhados e instrumentalizados para continuar financiando um projeto de poder de longo prazo do Partido dos Trabalhadores e seus aliados.
A JBS, comandada por Joesley e Wesley continuaria sendo o melhor exemplo de um vitorioso empreendorismo nacional
Os políticos estariam, em sua maioria apoiando este projeto em votações do congresso, é claro, sem receber um único centavo a mais em compra de votos, a não ser seus próprios salários.
O Brasil, continuaria a ser, apesar da marolinha que se agigantava, o pais das maravilhas, patrocinador da última copa do mundo, quando ganhou em pleito democrático e com toda a lisura, o direito de patrocínio.
Eduardo Cunha ou alguém a ele aliado, estaria comandando a câmara de deputados o mesmo acontecendo com o Senado, quando Renan Calheiros teria feito seu sucessor de confiança.
Nenhum político estaria preso já que sua honradez e honestidade nunca seriam questionadas por delegados, promotores e juízes indicados por eles.
Lula estaria ensaiando uma volta triunfal como o maior líder político de todo os tempos, o mais honesto dos brasileiros, salvador de uma grande nação.
O STF continuaria sua trajetória de poder soberbo, inerte e detentor, como Deuses do Olimpo, da última e inútil palavra em matéria de lei e justiça, devidamente defasada da realidade do pais e do povo.
Mas como nada caminhou com gostaria a camarilha que se apossara do poder nos últimos anos, este modelo político apodrecido e ultrapassado está sendo exposto em praça pública, com suas vísceras e carnes em putrefação.
A alternativa seria estarmos vendo o cadáver maquiado e mumificado sendo exibido como um gigante em berço esplêndido, com estáticas e dados manipulados para se mostrar no papel números primeiro-mundistas. Mostrar uma falsa potência econômica em pleno crescimento, com um fim único de perpetuar no poder, como um terceiro reich tupiniquim, a corja que se apossou e aparelhou do Estado Brasileiro.
O processo que estamos passando é doloroso, mas necessário como o único caminho de se estabelecer no Brasil um novo modelo econômico e político, sem estes líderes populistas, garotos de Copacabana, chefes de “cosa nostras” e de todas estas figuras sórdidas e maquiavélicas e tem dominado a política na nova república.
As novas eleições já estão aí para começarmos a mudar tudo, mas só se o povo brasileiro quiser transformar o ex país das Maravilha e de Alice, no momento um zumbi ambulante, numa nação que seja digna de seu nome.

João Drummond